Reforma Tributária - Notícias

Creditamento amplo deve reduzir contencioso tributário, diz advogado

Por: Dia a Dia Tributário - 22 de julho de 2025

O volume de processos administrativos e judiciais deve diminuir caso as promessas feitas no âmbito da reforma tributária sejam cumpridas, sobretudo quanto aos créditos financeiros resultantes da tributação sobre o consumo, que é uma das principais fontes atuais do contencioso.

A percepção é do advogado Igor Mauler Santiago, que concedeu entrevista à série Grandes Temas, Grandes Nomes do Direito, em que a revista eletrônica Consultor Jurídico ouve alguns dos nomes mais importantes do Direito e do empresariado sobre as questões mais relevantes da atualidade.

“É só olhar a pauta do Carf, do STJ, dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais sobre o ICMS, PIS/Cofins e IPI. É uma enormidade de contencioso. Se essa promessa de creditamento amplo for cumprida, ele tende a diminuir”, diz Mauler.

O advogado explicou que a redução de tributos promovida pela reforma também deve ser responsável pela diminuição das demandas, já que não haverá mais motivo para questionamentos sobre qual tributo deve ser aplicado a determinada operação, conforme ocorre atualmente.

“Uma grande causa de contencioso hoje é saber se determinada atividade é sujeita ao ISS, ao ICMS ou ao IPI. Ou se a cobrança é no meio da cadeia, se é no fim da cadeia. Quando se tem um tributo só, ou dois, como o IBS e a CBS, que são gêmeos, pouco importa essa discussão sobre conflito de competência. Há uma tendência de redução do conflito cidadão-Fisco”, disse ele em entrevista durante o XIII Fórum de Lisboa, promovido neste mês na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL).

O tributarista destaca, entretanto, que em um primeiro momento da transição do regime antigo para o novo a sensação do contribuinte pode ser a de que o sistema piorou.

“Os regimes vão conviver durante alguns anos. Então, vai ser primeiro um inferno, pois teremos o regime antigo e o regime novo, e o contencioso antigo e o novo convivendo. E esses contenciosos duram muitos anos. Assim, teremos muitos anos ainda de uma certa entropia (desordem)”, disse.

Setores pagarão o preço da mudança

Sobre a expectativa em torno do possível aumento da carga tributária, o advogado observa que toda reforma traz a promessa de que a arrecadação será mantida. Segundo ele, porém, a história demonstra que normalmente a carga acaba sofrendo uma elevação. Foi o que ocorreu, por exemplo, na passagem do PIS/Cofins cumulativo para o não cumulativo e em várias outras ocasiões em que o compromisso de manutenção da carga foi descumprido.

Ao elaborar a reforma tributária, contudo, o constituinte incluiu mecanismos para garantir a manutenção da carga, diz Mauler. Assim, as alíquotas de referência dos tributos novos são fixadas pelo Senado, embora, posteriormente, a União, os estados e os municípios possam segui-las ou não.

“Mas se não as seguirem, eles terão o ônus político de dizer para a população que estão indo acima daquela alíquota que foi calculada para cumprir o pressuposto de manutenção da carga. E quem calcula essa alíquota e recalcula periodicamente, e inclusive tem competência para reduzir essas alíquotas de referência, é o Tribunal de Contas da União”, diz.

“Há aí uma competência nova do TCU, que é um tema que será discutido amplamente nos próximos meses e anos, de calibrar essa alíquota de maneira a garantir, tanto quanto possível, que haja a manutenção da carga tributária como percentual do PIB.”

Mauler entende que esse mecanismo é relevante, mas não impede que determinados setores sejam atingidos pelo aumento da carga tributária. Ele explica que é possível projetar que a economia como um todo tenha carga de, por exemplo, 25% do PIB. Para que se chegue a esse percentual, porém, alguns setores pagarão menos, enquanto outros serão mais onerados.

“Claramente isso vai acontecer. Há alguns setores que pagarão o preço da reforma tributária, como o setor de serviços, por exemplo. Vai haver aumento de carga para alguns setores e redução para outros, mesmo com a promessa de manutenção como um todo.”

Fonte: Conjur

Veja também

Reforma Tributária - Notícias

Nota Técnica traz atualizações e esclarecimentos sobre o layout da NFS-e padrão nacional

A Secretaria Executiva do Comitê Gestor da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (SE/CGNFS-e) publicou, no último sábado (07.fev.2026), a Nota Técnica nº 007, que traz atualizações e esclarecimentos acerca do layout da Nota Fiscal de Serviço eletrônica – NFS-e padrão nacional. A Nota Técnica destaca a inclusão de novos campos e regras para o IBS […]

10 de fevereiro de 2026

Notícias - Tributos

Paraná prorroga prazo para obrigatoriedade da declaração de não contribuintes do ICMS

O Paraná estendeu o prazo para a Declaração de Conteúdo Eletrônica (DC-e), documento obrigatório para o transporte de bens e mercadorias por pessoas físicas e jurídicas não contribuintes do ICMS. O novo prazo para a obrigatoriedade da declaração passa de 1º de outubro de 2025 para 6 de abril de 2026. A medida foi anunciada […]

22 de setembro de 2025

Notícias

Receita Federal prorroga prazos tributários para municípios de MG atingidos por chuvas

Receita Federal do Brasil publicou, em 27 de fevereiro de 2026, a Portaria RFB nº 655/2026, que estabelece medidas excepcionais no âmbito da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil em razão do reconhecimento de estado de calamidade pública decorrente das fortes chuvas que atingiram os Municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa (MG). […]

4 de março de 2026