Reforma Tributária exigirá foco em gestão financeira e fluxo de caixa das empresas
Especialistas ouvidos pelo Portal Reforma Tributária alertam que os impactos da reforma não estarão restritos ao aumento ou redução da carga tributária. A implementação da CBS e do IBS também poderá afetar formação de preços, aproveitamento de créditos, negociação com fornecedores, revisão de contratos, estruturação de dados e competitividade empresarial.
A pauta é relevante porque muitas empresas ainda analisam a Reforma Tributária apenas sob a ótica fiscal, deixando em segundo plano os efeitos financeiros e operacionais da transição.
No novo modelo, a gestão dos créditos tributários terá papel central. Empresas que não conseguirem validar corretamente créditos de IBS e CBS, revisar cadastros, organizar informações fiscais e acompanhar a regularidade dos fornecedores poderão enfrentar aumento de custo, perda de margem e maior necessidade de capital de giro.
O impacto no fluxo de caixa também merece atenção. A depender da forma de apuração, do momento de aproveitamento dos créditos, da dinâmica do split payment, das condições de pagamento e recebimento e da posição da empresa na cadeia econômica, poderá haver descasamento entre entrada e saída de recursos.
Na prática, empresas que identificarem esses impactos apenas após a implementação das novas regras poderão ter dificuldade para buscar crédito ou recompor caixa, especialmente em um cenário de custo financeiro elevado. Por isso, o período de transição deve ser utilizado para simulações, revisão de processos e preparação de sistemas.
A atenção deve ser ainda maior para empresas optantes pelo Simples Nacional que vendem para outras empresas. Com a Reforma Tributária, a capacidade de gerar créditos de IBS e CBS para os clientes poderá influenciar a competitividade comercial. Em alguns casos, será necessário avaliar se a permanência integral no Simples ou a adoção do regime híbrido será mais adequada, considerando perfil de clientes, margem, preço e estrutura operacional.
Outro ponto crítico é a tecnologia. Sistemas de gestão, ERPs e controles internos deixarão de ser apenas ferramentas administrativas e passarão a ser essenciais para simular cenários, controlar créditos, organizar dados de clientes e fornecedores, revisar precificação e garantir conformidade fiscal durante a transição.
A preparação deverá envolver áreas fiscais, contábeis, financeiras, comerciais, jurídicas, compras, tecnologia e gestão. A Reforma Tributária não será um projeto isolado da contabilidade: ela exigirá revisão integrada do modelo de negócio, da operação e da gestão financeira.
Empresas que se anteciparem terão melhores condições de proteger margem, preservar caixa, revisar preços, renegociar contratos, organizar fornecedores e adequar sistemas. Já aquelas que deixarem a preparação para a última hora poderão enfrentar aumento de custos, perda de créditos, dificuldade de capital de giro e redução de competitividade.
A recomendação é iniciar diagnósticos financeiros e operacionais, revisar a cadeia de fornecedores, simular impactos no fluxo de caixa, avaliar o regime tributário mais adequado e preparar os sistemas para a nova lógica de apuração da CBS e do IBS.
Fonte: Portal Reforma Tributária