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Revisão de cadastro de fornecedores vira prioridade para gestão de créditos na Reforma Tributária

Por: Dia a Dia Tributário - 8 de julho de 2026

Com a implementação da CBS e do IBS, a qualidade das informações fiscais prestadas pelos fornecedores passará a influenciar diretamente o aproveitamento de créditos, a formação de custos, a margem operacional e a competitividade das empresas.

O tema ganhou destaque em debate empresarial realizado em São Paulo, no qual especialistas alertaram que falhas na gestão de créditos podem se transformar em custo oculto para companhias que ainda não revisaram seus cadastros, contratos e processos de validação fiscal.

A pauta é relevante porque a Reforma Tributária altera a lógica de controle dos créditos sobre o consumo. No novo modelo, não bastará apenas receber a nota fiscal e escriturar a operação. As empresas deverão validar se o documento fiscal foi emitido corretamente, se os campos de IBS e CBS estão adequados, se o fornecedor está regular e se a operação gera crédito aproveitável.

Um dos principais pontos de atenção é que o risco fiscal deixa de estar concentrado apenas dentro da empresa adquirente. A qualidade tributária da cadeia de fornecedores passa a ter impacto direto sobre o crédito do comprador. Isso exigirá integração entre compras, fiscal, jurídico, financeiro, cadastro, tecnologia e compliance.

Na prática, empresas deverão revisar dados cadastrais dos fornecedores, natureza das operações, enquadramento tributário, NCM, CST, descrições de produtos, contratos comerciais, condições de fornecimento, documentos fiscais de entrada e eventos eletrônicos vinculados às notas fiscais.

O tema também é sensível para compras realizadas de fornecedores optantes pelo Simples Nacional. Com a Reforma Tributária, empresas do Simples poderão gerar créditos reduzidos para seus clientes caso permaneçam integralmente no regime simplificado. A geração de créditos mais ampla dependerá da opção pelo regime regular de IBS e CBS, o chamado regime híbrido. Isso pode influenciar decisões comerciais, negociação de preços e avaliação de competitividade entre fornecedores.

Outro ponto prático é a necessidade de criar critérios internos de avaliação fiscal da cadeia de suprimentos. Empresas com grande volume de fornecedores poderão precisar adotar classificações de risco, validações automatizadas, trilhas de auditoria e indicadores fiscais para apoiar decisões de contratação, renovação e negociação.

O impacto financeiro pode ser relevante. Créditos mal aproveitados, documentos fiscais inconsistentes ou fornecedores sem adequada conformidade podem gerar perda de margem, aumento de custo, retrabalho operacional, risco de glosa e dificuldade de conciliação entre fiscal, contábil e financeiro.

Empresas que dependem de cadeias amplas de fornecedores precisam iniciar a revisão cadastral e operacional com antecedência, avaliando regularidade fiscal, qualidade documental, parametrizações, contratos, enquadramento tributário e impacto dos créditos de IBS e CBS.

A recomendação é que as empresas criem um plano de revisão de fornecedores, integrem compras e fiscal na tomada de decisão e adotem rotinas preventivas de validação dos documentos fiscais recebidos.

A falta de preparação poderá gerar perda de créditos, redução de margem e perda de competitividade durante a transição para o novo sistema tributário.

Fonte: Portal da Reforma Tributária

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