Reforma Tributária exige gestão e amplia papel consultivo da contabilidade
Esse foi o eixo da palestra “Reforma Tributária: Estruturação e Oportunidades para o Mercado Contábil”, apresentada por Wagner Xavier, Diretor de Contas Estratégicas da Omie, no encerramento do III Congresso FENACON, realizado no Sescon-SP, em São Paulo.
A abordagem reforça que a transição para o novo modelo tributário exigirá dos profissionais contábeis atuação mais estratégica, com foco em dados, processos, tecnologia, conformidade e apoio à tomada de decisão.
A pauta é relevante porque desloca o debate da Reforma Tributária do campo exclusivamente normativo para o campo da gestão.
A implantação do IBS, da CBS e das novas obrigações acessórias exigirá que empresas revisem cadastros, sistemas, documentos fiscais, precificação, compras, vendas, fluxo de caixa, contratos, controles internos e rotinas de compliance.
Nesse contexto, o papel da contabilidade tende a se ampliar. O contador deixa de atuar apenas como responsável pela entrega de obrigações fiscais e passa a ser peça central na interpretação dos impactos econômicos, financeiros e operacionais da reforma.
Segundo a abordagem apresentada no Congresso FENACON, os escritórios contábeis podem agregar valor por meio da melhoria de processos internos, geração de previsibilidade, relatórios estratégicos, apoio à tomada de decisão, suporte a serviços financeiros e adequação dos clientes às exigências da Reforma Tributária.
Entre os serviços com potencial de expansão estão consultoria estratégica, precificação, análise societária, estruturação de holdings, BPO de tesouraria, elaboração de business plans e organização de dados para tomada de decisão.
O ponto de atenção é que muitas empresas ainda não dimensionaram os efeitos práticos da reforma. Dados apresentados na palestra indicam que parcela relevante dos empresários não prevê grandes impactos ou ainda não discutiu o tema com seus contadores.
Esse cenário cria risco e oportunidade. O risco está em empresas chegarem à fase de implementação sem sistemas, cadastros, processos e controles preparados. A oportunidade está na possibilidade de os escritórios contábeis assumirem uma posição mais consultiva e preventiva junto aos clientes.
A Reforma Tributária também exigirá maior qualidade dos dados. Informações fiscais inconsistentes, cadastros incompletos, produtos mal classificados, fornecedores sem conformidade ou processos comerciais desalinhados poderão afetar créditos, apuração, documentos fiscais e fluxo de caixa.
Por isso, a adaptação deve envolver áreas fiscal, contábil, financeira, comercial, compras, tecnologia e gestão. A reforma não será resolvida apenas com atualização de sistema ou leitura da legislação; ela exigirá governança interna.
Fonte: FENACON