Notícias - Tributos

Receita esclarece tributação na cessão de créditos de honorários advocatícios em precatórios

Por: Dia a Dia Tributário - 6 de agosto de 2026

A Receita Federal esclareceu o tratamento tributário aplicável à cessão de créditos relativos a honorários advocatícios contratuais constantes em precatórios.

O entendimento consta da Solução de Consulta Cosit nº 113/2026, que trata da incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física na cessão de crédito realizada com deságio em relação ao valor de face do precatório.

A orientação é relevante para advogados autônomos, sociedades de advocacia, contabilidades e consultorias que atuam com precatórios, cessão de créditos judiciais e planejamento tributário de recebíveis.

A Receita Federal entendeu que a cessão de crédito referente a honorários advocatícios contratuais constantes em precatório, quando realizada com deságio, está sujeita à apuração de ganho de capital pelo cedente.

Esse ganho deve ser tributado em separado e não integra a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual. Além disso, o imposto pago sobre o ganho de capital não pode ser deduzido ou compensado com o imposto devido na declaração anual.

Para apuração do ganho de capital, devem ser considerados todos os valores que compõem o crédito cedido, incluindo principal, atualização monetária, juros de mora e demais acréscimos legais.

A Solução de Consulta também esclarece o tratamento das cessões com pagamento parcelado. Nesses casos, o ganho de capital deve ser apurado como se a alienação tivesse ocorrido à vista. No entanto, o recolhimento do imposto deve ocorrer proporcionalmente ao recebimento das parcelas, até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento de cada parcela.

Outro ponto relevante envolve os juros de mora. A Receita entendeu que os juros de mora incidentes sobre precatório vinculado a honorários advocatícios contratuais cedidos permanecem tributáveis.

Segundo a interpretação da Receita, não se aplica, nesse caso, a tese do Supremo Tribunal Federal no Tema 808, que afastou a incidência de IR sobre juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de remuneração por emprego, cargo ou função.

A justificativa é que os honorários advocatícios contratuais, no caso analisado, correspondem a rendimentos do trabalho não assalariado, ligados ao exercício da profissão de advogado autônomo. Por isso, a Receita também menciona o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no Tema 878 quanto à tributabilidade desses valores.

Na prática, o entendimento exige atenção em operações de antecipação de precatórios, cessão de créditos judiciais e negociação de honorários contratuais destacados em requisitórios.

Advogados e consultores devem avaliar previamente a natureza do crédito, o valor de face, o deságio aplicado, a forma de pagamento, o custo de aquisição, a composição entre principal, atualização e juros, além do prazo correto de recolhimento do imposto.

A operação não deve ser tratada apenas como recebimento de honorários ou como simples antecipação financeira. Para a Receita, a cessão do crédito configura alienação de direito, sujeita à apuração de ganho de capital.

Fonte: Receita Federal – Normas

Veja também

Notícias

Em Santa Catarina, Governador prorroga lei que zera imposto de seis itens da cesta básica

Medida garante isenção do ICMS nas operações internas destinadas ao consumidor final para o arroz e o feijão, além das farinhas de trigo, milho, mandioca e de arroz O governador Jorginho Mello sancionou nesta quarta-feira, 29, a lei que prorroga a isenção de ICMS sobre seis itens da cesta básica catarinense até 31 de dezembro […]

4 de maio de 2026

Reforma Tributária - Notícias

Grupo da regulamentação da reforma tributária ouve Bernard Appy nesta terça

O grupo de trabalho (GT) que vai analisar a proposta de regulamentação da reforma tributária, realiza, nesta terça-feira (28), as primeiras audiência públicas para debater o texto do governo (PLP 68/24).  A proposta regulamenta os três novos tributos criados pela reforma tributária: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e […]

27 de maio de 2024

Notícias - Tributos

STJ veta intervenção do Ministério Público Federal em caso de exclusão do Refis

O Ministério Público Federal não tem legitimidade para interpor recurso no processo que discute a exclusão do contribuinte de Programa de Recuperação Fiscal (Refis). A conclusão é da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que não conheceu de agravo interno do MPF em caso envolvendo empresa de engenharia e a Fazenda Nacional. A ação […]

22 de abril de 2025