Notícias - Tributos

Com alta de impostos e PIB mais forte, arrecadação tem recorde

Por: Dia a Dia Tributário - 23 de janeiro de 2026

Resultado cresce 3,7% em 2025, e especialistas esperam desaceleração neste ano e alertam para desequilíbrio das contas públicas

A arrecadação federal de impostos atingiu em 2025 o maior patamar da história, somando R$ 2,886 trilhões, crescimento real de 3,65% sobre o ano anterior, segundo a Receita Federal. O resultado foi influenciado pelo crescimento da atividade econômica e pela elevação de impostos.

As receitas com o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), por exemplo, bateram recorde no ano passado – a série histórica tem início em 1995. No ano passado, o recolhimento somou R$ 86,5 bilhões, o que representa alta real de 20,54% em relação a 2024. O crescimento do IOF, após aumentos da alíquota, foi de R$ 12 bilhões, cerca de R$ 2 bilhões acima da projeção inicial da Receita

“O resultado é a combinação desses fatores, não só mudança da legislação, como o crescimento da economia”, disse o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, em entrevista coletiva para detalhar os números.

O economista Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), avalia que o desempenho da arrecadação em 2025 foi favorável e acima do que a própria IFI esperava em dezembro de 2024. Isso aconteceu sobretudo pelo comportamento das receitas previdenciárias, que cresceram bem acima da expectativa e suportadas pelo mercado de trabalho mais robusto.

Na arrecadação administrada pela Receita Federal, o resultado, segundo ele, ficou abaixo do esperado e refletiu a desaceleração da atividade econômica no segundo semestre do ano. Por outro lado, o aumento das alíquotas do IOF compensou, em parte, a desaceleração.

Receitas com IOF somam R$ 86,5 bi, crescimento real de 20,54% em relação a 2024

Para 2026, segundo Andrade, a tendência é que a arrecadação recorrente continue a desacelerar, já que os efeitos da política monetária restritiva devem ser sentidos na atividade econômica, além da expectativa de uma piora nas condições do mercado de trabalho. Esse cenário, disse, trará dificuldades para o cumprimento da meta fiscal deste ano, de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por outro lado, segundo o economista, algumas fontes de arrecadação contidas no Orçamento de 2026, como os recolhimentos previstos com transações tributárias, medidas de defesa comercial, redução de benefícios tributários e a limitação da compensação de créditos tributários podem compensar a perda arrecadatória.

“De todo modo, dado o caráter incerto de materialização de algumas dessas receitas descritas acima e o contexto de enfraquecimento da economia, pode ser que, durante a execução orçamentária deste ano, seja necessário ao Poder Executivo a busca de novas fontes de arrecadação para garantir o cumprimento formal da meta fiscal”, acrescentou Andrade.

O professor de economia José Ronaldo Souza Junior, do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais do Rio de Janeiro (Ibmec- Rio), ressalta que, apesar dos sucessivos recordes, o aumento arrecadatório não tem sido suficiente para equilibrar as contas públicas, diante do crescimento contínuo das despesas.

“O que compromete a sustentabilidade fiscal é a inviabilidade de perpetuar aumentos sucessivos da carga tributária como forma de sustentar a expansão dos gastos públicos”, pontuou o professor.

Em dezembro, a arrecadação cresceu 7,46%, somando R$ 292,7 bilhões. Nos números atualizados pela inflação, o resultado de dezembro também foi o maior para o mês em toda a série histórica.

Sem correção inflacionária, a arrecadação mostrou alta de 12,04% em dezembro. Considerando somente as receitas administradas pela Receita Federal, houve aumento real de 7,67% em dezembro, somando R$ 285,2 bilhões. No ano, as administradas somaram R$ 2,763 trilhões, crescimento real de 4,27%.

Já a receita própria de outros órgãos federais (que inclui os dados de royalties de petróleo, por exemplo) foi de R$ 7,514 bilhões em dezembro, queda real de 0,07%. No ano, a arrecadação de outros órgãos alcançou R$ 123,612 bilhões, queda real de 8,40%.

Fonte: Valor Econômico.

 

 

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