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Arrecadação de receitas federais alcançou R$ 2,886 trilhões em 2025, mostra balanço da Receita

Por: Dia a Dia Tributário - 23 de janeiro de 2026

Segundo o Fisco, o resultado foi o melhor da série histórica, iniciada em 1995

A arrecadação total das receitas federais alcançou R$ 2,886 trilhões em 2025, alta real (já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA) de 3,65% sobre o resultado de igual período de 2025 (R$ 2,652 trilhões). Em termos nominais, houve crescimento de 8,83%. É o melhor resultado registrado na série histórica, iniciada em 1995.

Dados relativos exclusivamente a dezembro mostram que a arrecadação federal do período somou R$ 292,724 bilhões, elevação de 7,46% em termos reais na comparação com igual mês de 2024 (R$ 261,265 trilhões); também o melhor resultado desde 1995. Em termos nominais, o resultado foi 12,04% superior ao de igual período de 2024.

As informações foram divulgadas nesta quinta-feira-feira (22/1) pela Receita Federal do Brasil (RFB) em entrevista coletiva realizada no Ministério da Fazenda, em Brasília, com abertura realizada pelo secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. “São números bonitos, em um crescimento importante. Considerando, inclusive, o patamar alto do ano anterior e receitas não recorrentes de 2024. Se desconsideramos as receitas não recorrentes [de 2024], o resultado seria ainda melhor”, destacou o secretário.

Na abertura da coletiva, Barreirinhas destacou que a Receita Federal está ingressando em 2026 sob uma mudança definitiva de paradigmas, abandonando “a postura antiquada de um fisco reativo e repressor” e adotando a postura de “uma nova Receita Federal que antecipa os problemas com os contribuintes, orienta os contribuintes e evita o litígio”. Esse novo marco, ressaltou Barreirinhas, alicerçado em marcos legais e regulatórios construídos desde 2023 pelo atual governo, vai melhorar a relação do Fisco com os bons contribuintes e agirá duramente contra os devedores contumazes, gerando reflexos positivos para a arrecadação.

Em relação ao novo cenário do Fisco, o secretário da Receita destacou a recente publicação da Lei Complementar nº 225/2026 (que instituiu o Código de Defesa do Contribuinte, tratando também de medidas para o tratamento dos devedores contumazes) e citou os avanços no diálogo com os contribuintes promovidos a partir da instituição dos programas Confia e Sintonia, de conformidade fiscal, agora impulsionados com a publicação da nova lei.

Detalhamento

Os dados da arrecadação de 2025 foram detalhados pelo chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (Cetad) da RFB, Claudemir Malaquias; e pelo coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Gomide, auditores-fiscais da Receita Federal. A entrevista foi presencial e contou com transmissão ao vivo, pelo canal do Ministério da Fazenda no YouTube.

“Os números são bons. Chegamos ao final do ano comemorando o resultado da arrecadação, sobretudo dos tributos administrados pela Receita Federal”, comentou Malaquias. “A arrecadação das receitas federais supera, mais uma vez, o crescimento do Produto Interno Bruto”, completou.

A Receita informou que a base de comparação da arrecadação do ano passado foi influenciada por eventos não recorrentes ou alterações de legislação que ocorreram em 2024, sem contrapartida em 2025. Sem considerar os pagamentos atípicos, haveria um crescimento real de 4,82% na arrecadação de 2025, na comparação com 2024.

“Tivemos, em relação a 2024, um decréscimo dos valores considerados atípicos. Em 2024, consideramos como valores extraordinários algo em torno de R$ 17 bilhões. Já em 2025, foram somente R$ 3 bilhões”, detalhou Claudemir Malaquias.

Fatores

A Receita Federal detalhou a série de destaques que explicam o desempenho da arrecadação do ano passado, a começar pelo comportamento dos principais indicadores macroeconômicos.

A produção industrial do período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 subiu 0,17% na comparação com o período entre dezembro de 2023 e novembro de 2024. A venda de bens registrou retração de 0,16%; a venda de serviços subiu 2,72%; valor em dólar das importações teve elevação de 2,11% e a massa salarial subiu 10,90%.

Além do comportamento dos indicadores macroeconômicos, outros fatores também marcaram o resultado da arrecadação de 2025, aponta a Receita, a começar pela elevação da arrecadação do IOF [Imposto sobre Operações Financeiras], em razão de alteração na legislação do tributo por meio dos decretos 12.467/2025 e 12.499/2025. O IOF, no ano passado, arrecadou R$ 86,477 bilhões, alta real de 20,54% em relação a 2024 (R$ 71,743 bilhões).

Outro destaque do ano foi a melhora no desempenho da arrecadação do PIS/Cofins [Programa de Integração Social / Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social] em razão do melhor desempenho do setor de serviços e do crescimento da arrecadação das entidades financeiras.

A Receita informou, ainda, que o resultado do ano passado foi impactado pelo crescimento da arrecadação dos tributos sobre comércio exterior, em função do crescimento das taxas de câmbio e do aumento das alíquotas médias desses tributos. Outro elemento de relevância para o resultado de 2025 foi o desempenho da arrecadação da contribuição previdenciária, decorrente do aumento real da massa salarial e da redução da desoneração da folha.

Análise

No acumulado do ano, destaque para as receitas previdenciárias, que somaram R$ 737,571 bilhões de janeiro a dezembro, alta de 3,27% sobre 2025 (R$ 714,223 bilhões). A arrecadação de Cofins/PIS-Pasep somou R$ 581,946 bilhões, representando elevação de 3,03% sobre o resultado de 2024 (R$ 564,845 bilhões). Já o recolhimento acumulado de IRPJ/CSLL [Imposto de Renda da Pessoa Jurídica / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido] alcançou R$ 530,811 bilhões no ano passado, crescimento de 1,27% sobre 2024 (R$ 524,158 bilhões).

“Praticamente todos os grupos de tributos apresentaram algum crescimento em relação a 2024”, afirmou Marcelo Gomide.

A Receita Federal também apresentou o recorte da arrecadação por divisões econômicas (exceto Receitas Previdenciárias). Nessa base de análise, destaque para o recolhimento de impostos oriundo do segmento de “atividades de exploração de jogos de azar e apostas”, que registrou arrecadação de R$ 9,953 bilhões no passado, ante R$ 91 milhões em 2024. Esse salto nesses recolhimentos é reflexo direto da regulamentação do setor, com regras que começaram a vigorar em 2025.

A divisão econômica responsável pela maior fatia de recolhimento no ano passado foi a de “entidades financeiras”, com R$ 341,386 bilhões, alta de 13,44% em relação aos R$ 300,929 bilhões registrados em 2024. O comércio atacadista ficou em segundo lugar, com R$ 183,609 bilhões, elevação de 2,81% sobre os R$ 178,589 bilhões apurados em 2024.

Receitas Administradas

Considerando dados referentes exclusivamente à arrecadação de receitas administradas pela Receita Federal, o recolhimento de 2025 somou R$ 2,763 trilhões. Isso significa elevações de 4,27%, em termos reais, e de 9,47%, em termos nominais, sobre o resultado de 2024 (R$ 2,524 trilhões).

As receitas federais administradas por outros órgãos somaram R$ 123,612 bilhões em 2025, representando quedas de 8,40%, em termos reais, e de 3,79%, em termos nominais, na comparação com 2024 (R$ 128,480 bilhões).

Fonte: Receita Federal

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