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Adaptação de sistemas à Reforma Tributária enfrenta escassez de consultores e aumento no volume de dados

Por: Dia a Dia Tributário - 8 de julho de 2026

A adaptação dos sistemas empresariais à Reforma Tributária do Consumo passou a ser um dos principais pontos de atenção para empresas, fornecedores de tecnologia, áreas fiscais, financeiras e de TI.

Especialistas alertam que a implementação da CBS e do IBS exigirá atualização de ERPs, revisão de processos internos, adequação de cadastros, integração de documentos fiscais eletrônicos e capacidade ampliada de processamento de dados.

O tema ganhou destaque em evento realizado em São Paulo, com participação de representantes de empresas de tecnologia, consultoria e inteligência tributária, que apontaram riscos relevantes para organizações que ainda não iniciaram seus projetos de adequação.

A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na forma de calcular tributos. Ela exigirá transformação operacional nas empresas, com impactos sobre compras, vendas, faturamento, financeiro, fiscal, contabilidade, tecnologia, contratos e relacionamento com fornecedores e clientes.

Um dos principais alertas envolve os ERPs. Empresas que utilizam versões antigas ou sistemas altamente customizados podem enfrentar maior dificuldade para implementar as novas regras, especialmente diante da publicação contínua de regulamentos, notas técnicas, leiautes e orientações relacionadas ao IBS e à CBS.

No caso de ambientes SAP, foi destacado que o suporte ao SAP ECC será descontinuado ao final de 2027, justamente durante o período de transição da Reforma Tributária. Isso aumenta a pressão para que empresas avaliem a necessidade de migração, atualização ou modernização de seus sistemas antes que a adaptação se torne mais complexa e custosa.

Outro ponto crítico é a escassez de profissionais especializados. Com milhares de empresas precisando adaptar sistemas ao mesmo tempo, a demanda por consultores tributários, especialistas em ERP, desenvolvedores, analistas fiscais e profissionais de integração tende a crescer de forma acelerada. Empresas que deixarem a adequação para a última hora poderão enfrentar indisponibilidade de mão de obra, aumento de custos e maior risco de implementação incompleta.

A mudança também envolve aumento expressivo no volume de dados fiscais. A expectativa é de que o novo modelo amplie significativamente o processamento de documentos fiscais eletrônicos, eventos, validações, informações de crédito, apuração assistida, split payment e cruzamentos entre documentos fiscais e pagamentos.

Na prática, isso exigirá que as empresas revisem a capacidade de seus sistemas para receber, validar, armazenar, processar e conciliar informações fiscais em escala muito superior à atual. A área de recebimento fiscal, em especial, deverá estar preparada para lidar com maior volume de documentos, novos campos de IBS e CBS, eventos eletrônicos, inconsistências de fornecedores e validações preventivas de crédito.

O desafio também é cultural e processual. A adequação não poderá ficar restrita à área fiscal ou à TI. Será necessário envolver áreas de compras, vendas, cadastro, pricing, financeiro, jurídico, controladoria e atendimento ao cliente, pois a Reforma Tributária altera a forma como a informação fiscal circula dentro da empresa e ao longo da cadeia de valor.

A adaptação de sistemas à Reforma Tributária deve ser tratada como projeto estratégico, e não apenas como atualização técnica de software.

Empresas que iniciarem diagnóstico com antecedência terão melhores condições de mapear impactos, planejar investimentos, revisar processos, negociar com fornecedores de tecnologia e reduzir riscos de falhas na transição.

A recomendação é que as organizações realizem diagnóstico do ambiente atual, identifiquem sistemas críticos, avaliem customizações existentes, revisem cadastros fiscais, testem integrações e definam um cronograma de adequação envolvendo fiscal, contábil, financeiro, comercial e tecnologia.

A Reforma Tributária exigirá preparação técnica, operacional e de governança. Atrasos na adaptação podem gerar inconsistências em documentos fiscais, dificuldades no aproveitamento de créditos, falhas de apuração, problemas de conciliação financeira e perda de competitividade.

Fonte: Portal da Reforma Tributária

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