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A que ponto chegamos

Publicado em 6 de March de 2017 em Federal
A que ponto chegamos

Ainda esta semana, estava refletindo sobre o que difere ‘bons’ profissionais ou empresas estabelecidas no mercado daquelas que deixaram de existir ou profissionais que não estão empregados.


Certamente a primeira resposta, a mais óbvia, seria o fato de que muitas empresas possuem ou não profissionais qualificados,know how ou experiência nas suas funções, entre outros aspectos considerados técnicos – isso também vale para os profissionais –, além de fatores importantes como as questões econômicas e políticas que interferem diretamente na saúde das empresas e consequentemente na capacidade de retenção de talentos ou profissionais. Esse último aspecto é decisivo quando falamos na continuidade das empresas e por consequência na manutenção do nível de emprego.


Vamos fazer um exercício e imaginar o cenário econômico ‘ideal’, propício para a abertura e manutenção dos negócios, com linhas de capital de giro disponíveis com baixo custo, capacidade de financiamento, alta geração de empregos, consumo, carga tributária compatível, desburocratização e agilidade de todos os órgãos, entre outros. Seria fantástico em um país como o Brasil, que trabalha em ciclos sazonais de razoável estabilidade econômica.


Por que este ensaio? Porque descrevendo algumas características de empresas ou profissionais que estão no mercado, falamos, de forma razoável, que por mais incrível que possa parecer são os VALORES que diferem o nível de empregabilidade ou de manutenção das atividades de uma empresa.


Quando analisamos os profissionais ou comparamos muitas vezes empresas do mesmo segmento e sua performance, esbarramos nas seguintes diferenças: respeito, ética, compromisso ou comprometimento, transparência, humildade, lealdade, entre outros.


Em alguns casos, estes valores são descritos no currículo de profissionais como um diferencial e realmente é verdade, por mais absurdo que possa parecer. Hoje, valores que deveriam estar ‘impregnados’ em nós, transferidos normalmente por nossos familiares e rede de relacionamentos desde a infância, são jogados no mercado como um diferencial, devido ao fato de que a nossa cultura perpetua, valoriza e massifica muitas vezes aquilo que é ‘podre’. Apesar do romantismo dessa colocação e do fato de ser quase um clichê, isto é uma realidade que está diante dos nosso olhos o tempo todo e que, definitivamente, é um diferencial no sucesso de um projeto, na perpetuação de um negócio ou na estabilidade de um profissional dentro de uma empresa que também possui como objetivo a preservação desses nobres valores.


Em função de uma cultura secular – não que isso seja regra –, estamos percebendo isso mais e mais em nossa economia, política, nas relações entre empresas e mercado, entre empresas e governo. Em função da corrupção, da impunidade e do famoso ‘jeitinho’, padrão muitas vezes aceito como símbolo oficial de nossa nação, o que deveria ser prerrogativa está virando um acessório, um diferencial.


Esse tema poderia ser uma dissertação de mestrado, porém o intuito aqui é fazer uma reflexão. Temos que ter em mente que os valores estão acima de qualquer coisa e que a máxima que diz ‘contrate o caráter, treine as habilidades’ é uma verdade absoluta. Mas seria muito fácil aplicar essa regra, caso se conhecesse o profissional a vida toda, como um filho, sabendo assim como é sua conduta no dia-a-dia. Diante do exposto, o desafio para as empresas vem na seguinte pergunta: o que você consegue captar em uma entrevista de emprego ou testes específicos? Algumas tendências, é certo, porém não existe nada que supere o dia-a-dia, a ‘mão na massa’ e os desafios para testar o caráter e os valores de um profissional. Analisando por esse aspecto, toda a contratação é uma aposta com riscos naturais e apesar do nível de complexidade essa é a única maneira de aprender a compreender e aprender a transformar.


Em contrapartida, analisando agora a nossa realidade que está alicerçada em um cenário de instabilidade geral, o grande trunfo das empresas é o fato de que os profissionais ficam mais contidos, mais preocupados com o dia de amanhã e refletindo sobre a maneira de agir. Essa postura carrega em si uma mudança comportamental. Por outro lado, isso simplesmente coloca ‘em uma jaula’, muitas vezes, o ‘leão’ escondido dentro de cada um de nós. Como diz a máxima: o aprendizado muitas vezes vem pela dor.


Porém, para todo o processo de mudança existe um gatilho e um início. O que está acontecendo em nosso país pode ser uma desgraça aos olhos de muitos, mas é também uma grande oportunidade de revisão dos nossos valores e conduta. É a história do copo meio cheio ou meio vazio. Analisando o contexto, que a regra vire exceção e que o diferencial seja perpetuado como algo essencial, porém natural e cultivado nas nossas bases, na maneira de nos relacionarmos e agirmos, seja como profissionais ou como empresas.


 


 



Para acessar outros artigos deste autor, acesse: http://www.florenca.emp.br/artigos-e-dicas



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