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Publicado em 13 de March de 2018 em Federal

Cortar custos ou eliminar desperdícios?

Por Benitez J. Buzzi
Imagem disponível na web

Chamou-nos a atenção na semana passada o anúncio de um cliente sobre os esforços que sua empresa vem realizando para enfrentar a crise econômica, onde com algumas medidas de corte pretende economizar valores que espera encontrar refletidos de forma positiva no resultado econômico mensal do negócio.

Essa empresa adota o critério de corte linear de custos, prática antiga e muito usada até o início dos anos 2000, quando os estudos sobre gestão estratégica de custos começaram a ganhar força. O critério linear é o chamado “corte seco”, onde define-se uma meta ou percentual de corte para cada conta, por exemplo, diminuir em 10% o gasto com materiais de expediente. A técnica é de fácil aplicação e não exige o esforço estratégico, apenas execução rápida e matemática.

Ocorre que em muitos casos um corte linear em uma conta abre a necessidade de aumento em outra. Algum esforço terá que ser gerado, ou para obter melhor resultado ou para garantir solidez e segurança na estrutura a médio e longo prazo.

No caso, o cliente resolveu rescindir seu contrato de determinada consultoria com a justificativa de que era necessária a redução das despesas fixas, julgando também não ser mais necessário um contrato mensal. Além disso, a empresa costuma regular também seus gastos com pessoal, com tetos salariais, cortes de benefícios, treinamentos, entre outros.

Essas medidas afetam o cliente final? Geram algum contencioso? Melhoram a operação do negócio?

Quando a preocupação é matemática a curto prazo, dificilmente são analisados fatores subjetivos. No caso da consultoria, não são consideradas as oportunidades que possam não ser aproveitadas, eventuais passivos que possam estar sendo gerados, ineficiência na resolução de problemas que antes não custavam o retrabalho, enfim, assume-se o risco de abrir mão de determinada solução “fixa”.

Muitas vezes erramos ao simplesmente classificar o trabalho de um segurança de banco como sendo despesa, fixa. O que ele representa para o negócio como um todo? Quais os riscos de uma redução em relação a qualidade do serviço? Como medir o retorno até que não ocorra um fato que realmente seja necessário o acionamento do mesmo? Um roubo, a vida de um cliente, que talvez custe a existência do negócio como um todo.

Devemos ainda destacar com clareza a diferença entre custos e desperdícios. Desperdícios são atividades feitas na empresa que não geram valor aos clientes. Por exemplo, rotas mal feitas que geram maior consumo de combustível, esperas, movimentação, retrabalhos etc. são atividades realizadas na empresa que não agregam valor, apenas custos.

A redução de custos deve ser feita permanentemente através da análise estratégica para melhoria dos processos e eliminação dos desperdícios, e não com base em uma análise superficial dos números dos custos.
                
Custos são resultados dos ativos e das ações das empresas quer sejam aquelas que agregam valor aos clientes quer sejam as que são desperdícios.
Agora, algumas atividades que aparentemente podem ser cortadas, em verdade são investimentos que podem criar condições para se ter uma empresa mais forte no futuro.

Políticas de conservação de caixa (congelamento de gastos e investimentos) podem surgir para enfrentar dificuldades momentâneas e conjunturais, quando deveriam ser permanentes. Ou seja, só se deve realizar investimentos e gastos realmente necessários para que haja retorno.

A mentalidade de pensar bem, avaliar profundamente e procurar alternativas antes de realizar quaisquer corte ou mesmo investimentos, deve fazer parte da cultura da empresa. E não apenas em momentos de dificuldades. Ou seja, pensar como se estivesse sempre em crise, questionando todos os investimentos e realizando esforços contínuos para reduzir custos deve ser parte do dia a dia das empresas. Mais importante ainda enxergar os resultados ou benefícios de cada gasto.

Assim, a empresa estará em melhores condições competitivas para enfrentar eventuais quedas do mercado ou mudanças nas condições competitivas, sem desespero ou medidas radicais. Já as iniciativas pontuais de cortar custos para enfrentar crises podem ter resultados no curto prazo, mas não educam as empresas a entenderem o que é valor e o que é desperdício.




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