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Estadual - RS
Publicado em 11 de outubro de 2017 em Estadual - RS

Importação de leite vindo do Uruguai é suspensa

Por Clipping - Dia a Dia Tributário
Comitiva gaúcha

Por Thiago Copetti


Comitiva gaúcha reuniu-se com ministro Blairo Maggi em Brasília - Foto: Seapi/Divulgação/JC


Foi com alívio, e surpresa, que indústria e produtores gaúchos de leite receberam, nesta terça-feira, uma notícia aguardada desde o primeiro semestre deste ano. Em audiência com representantes de empresas, agricultores e políticos gaúchos em Brasília, o Ministério da Agricultura divulgou que irá suspender, ao menos temporariamente, a importação de leite do Uruguai. 


Depois que mais de 100 mil toneladas de leite do Uruguai entraram no País no ano passado, a crise se agravou no início de 2017. As indústrias viram seus estoques se acumularem e os preços, no chão. A enxurrada de leite uruguaio, alega o setor, na verdade, teria origem em países vizinhos. Em agosto, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat) já denunciava que, para fugir das cotas acertadas com o Brasil, leite argentino e paraguaio estaria sendo enviado ao mercado brasileiro via Uruguai. Isso porque o governo uruguaio vem se recusando a sentar com o brasileiro para negociar um limite de envio de leite fluido ou em pó, como já fizeram os outros dois países.


"É uma ação concreta e importante. É o que estávamos esperando do governo para poder apurar os fatos e romper esse ciclo que está afetando indústria e agricultura gaúcha", comemorou o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra.


O Sindilat usou dados do próprio Uruguai para embasar seu pedido de investigação, agora atendido pelo governo. O país vizinho, diz o sindicato, produziu 1,7 bilhão de litros de leite em 2016 e consumiu 700 milhões de litros. O saldo, se convertido em pó, renderia 120 mil toneladas. Só o Brasil recebeu 100 mil toneladas de leite em pó e 18 mil toneladas em queijos, o que representa praticamente todo o volume restante.


O ingresso do leite uruguaio, mais barato, levou os laticínios locais a acumular estoques, já que o produto é recolhido diariamente e precisa ser processado. Isso levou a indústria a retirar do preço pago ao produtor até R$ 0,40 por litro desde o ano passado. As entradas só começaram a cair drasticamente a partir de julho de 2017 (ver gráfico) justamente em razão da superestocagem da indústria. De acordo com a Emater, 19 mil produtores gaúchos deixaram de produzir no Estado apenas nos últimos dois anos, e a indústria vinha ameaçando fechar portas e demitir caso nada fosse feito.


"O anúncio é positivo, mas a decisão já deveria ter sido tomada há dois meses, pelo menos. O mercado está inundado com o produto uruguaio", lamenta o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva.


Uma medida mais drástica também está no horizonte, envolvendo o Itamaraty, outras instituições e outros países, que é a de retirar o leite do acordo do Mercosul, declarou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. "Trabalhamos nessa direção, já que a situação está se transformando em quase insuportável para o produtor brasileiro", disse Maggi.  


Governo confirma compra do produto para equilibrar estoques das indústrias


O setor lácteo teve outra boa notícia nesta terça-feira. Os representantes das indústrias e dos produtores ouviram do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, que está confirmada a compra de leite pelo governo para equilibrar estoques. O produto seria destinado para escolas, hospitais e projetos sociais, por exemplo.


Segundo Terra, na próxima semana, deverá ser divulgado o volume que será comprado para apoiar a indústria e os produtores até que o bloqueio ao leite uruguaio surta efeito no mercado interno. "Com todo o leite que entrou no país vindo do Uruguai, desde 2016 e no primeiro semestre do ano, o reflexo deve ser sentido no mercado interno apenas em 2019. A compra de leite é urgente, porque a indústria está com os estoque nas alturas, e o leite precisa continuar sendo processado", ressalta o presidente do Sindilat, que também pede linha de crédito com juro reduzido para que a indústria siga operando normalmente nos próximos meses. 


Fonte: Jornal do Comércio



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