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Contabilidade e Tributos
Publicado em 3 de June de 2016 em Contabilidade e Tributos

Alta carga tributária num país em recessão

Por Clipping - Dia a Dia Tributário
Carga Tributária

João Paulo Meinicke e Bruno Mazzei vestem a camisa contra a alta carga tributária - Foto: Vitor Jubini


Por Mikaella Campos


Peso dos impostos sufoca salários e ganhos de empresas


Em tempos de PIB negativo, de desemprego em alta e de consumo das famílias em trajetória de declínio, a carga tributária não dá folga para trabalhadores nem corporações. O peso dos impostos revela-se a cada ano mais penoso, principalmente num momento de queda na renda da população e no otimismo dos empresários. Na visão de analistas, o cenário atual não estimula investimentos em grandes projetos, ferramentas essenciais para tirar o país da crise econômica.


Se há 20 anos o brasileiro trabalhava 100 dias no ano só para pagar impostos, neste ano foram 153, o maior índice já avaliado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Isso significa que 41,8% dos rendimentos da população foram engolidos pelo sistema tributário.


A expectativa é de que o alto volume de recursos do contribuinte que são direcionados ao Poder Público chegue a patamares ainda mais elevados neste ano, alcançando 37% do Produto Interno Bruto. Em 1996, 25,19% das riquezas produzidas no país foram para os cofres da União, Estados e municípios.


Para o especialista em Direitos Tributário e Constitucional, Caleb Salomão, o problema do Brasil não é o custo tributário e sim o gasto orçamentário que privilegia setores e estimula o desperdício. Segundo ele, o governo se apropria de uma receita sem cumprir a promessa de converter essa arrecadação em serviços públicos de qualidade.


“O país pune a classe produtiva com impostos num nível elevado, porém o dinheiro é torrado pela má gestão e pela corrupção. Não importa se a carga tributária é de 20% ou 40% da renda. O ponto importante é analisar o baixo retorno para a população muito onerada e que tem seus direitos frustrados”.


Salomão ainda critica o endividamento do governo – que paga juros elevados a credores ao emitir títulos públicos para continuar consumindo – e o alto desembolso com a Previdência, em especial a de servidores públicos. A saída para pagar essa conta é, muitas vezes, aumentar os impostos.


Empresas


A distorção entre o que se contribuiu e os resultados que se entrega em relação à saúde, à educação e à segurança pública, por exemplo, ajuda a inflamar o ânimo da sociedade contra o regime tributário. No lado empresarial, os setores econômicos que mais contribuem não são aqueles que mais apresentam produtividade. A indústria de transformação, por exemplo, que em 2014 contribuiu com 30% da arrecadação no país, respondeu por apenas 10,9% do PIB.


O diretor regional do IBPT, Alexandre Fiorot, explica que muitas empresas estão entrando num quadro de inadimplência por não suportarem mais tanta incidência de impostos. “Um estudo nosso mostrou que, em novembro do ano passado, 42% das empresas brasileiras fecharam o mês com débitos tributários vencidos por mais de 90 dias. O indicador é alarmante”.


Os empresários João Paulo Meinicke e Bruno Mazzei vestem a camisa da luta contra a alta carga tributária no país e vão participar do Dia da Liberdade de Impostos, hoje. Segundo Mazzei, que atua no ramo de locação de carros, a carga tributária sufoca o meio empresarial. “O brasileiro investe mais de 2.600 horas em burocracia tributária. Enquanto nos países desenvolvidos gasta-se 24 horas no ano”, explica, ao esclarecer não ser contra o pagamento de impostos, mas critica as altas taxas.


“Já ultrapassamos o limite de cobranças. O país tem que ajudar as empresas a continuarem investindo para dar mais renda e trabalho para a população”.



Fonte: Gazeta Online

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